Artur e sua filha, Alice.

Porque é aqui que se separa os homens dos meninos. Uma vez ouvi isso na entrada de uma festa em Balneário Camboriú. Fazendo referência aos que poderiam pagar 700,00 para subir no camarote em relação aos outros que iriam para a humilde pista de 100,00 (eu era um dos meninos). Aquilo me deu uma ideia muito errada sobre o que era ser homem: ter dinheiro, poder bancar meus próprios luxos. 10 anos se passaram, o dinheiro veio, pagar pelo luxo ficou fácil, mas o sentimento de ser homem não existia dentro de mim. Apesar das responsabilidades profissionais e pessoais, algo faltava, ainda me sentia um menino. Recebi então a notícia da gravidez, demorei a assimilar.

No primeiro ultrassom morfológico, a médica e a mãe não entenderam nada do meu desabamento sem controle, o choro com soluços ao ver a primeira vez aqueles ossinhos. Era verdade mesmo. A responsabilidade por esse ser em formação, passagem só de ida sem direito a devolução. Mistura de medo com alegria. Nasceu Alice, tudo mudou. As prioridades, os planos, a rotina. Estou mesmo dando conta? Estou fazendo o certo? Por quanto tempo conseguirei protegê-la desse mundo injusto e cruel? Ou formarei uma mulher forte e independente, segura de si? O menino enfim entendeu o que é virar um homem.

________________________________

texto por Artur Toledo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *